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Gás mais caro a partir de outubro: o que decidiu a ERSE e a quem afeta
Mercado de energiascheduleLeitura de 7 min26 de Agosto de 2026

Gás mais caro a partir de outubro: o que decidiu a ERSE e a quem afeta

Carlota Neves
Carlota Neves

Gás mais caro a partir de outubro 📈 O que decidiu a ERSE e a quem afeta

A ERSE fechou as contas para o ano-gás 2026-2027: as tarifas de gás natural no mercado regulado sobem 6,4% a partir de 1 de outubro. Explicamos o que está por trás do número, quem paga mais e o que isto tem a ver contigo mesmo se nunca leste uma fatura de gás na vida.

Todos os anos, por volta desta altura, a ERSE fecha as tarifas para o ano-gás seguinte, que corre sempre de outubro a setembro. Este ano o resultado já é oficial, e as tarifas de gás natural no mercado regulado sobem 6,4% a partir de 1 de outubro de 2026. Em abril, a proposta inicial da ERSE apontava para 6,3%, mas a decisão final ajustou ligeiramente o valor e confirmou a subida.

O que está por trás do 6,4% 🧐

A ERSE justifica o aumento com previsões mais altas para o custo de aquisição de gás natural no ano-gás 2026-2027, num contexto de incerteza nos mercados internacionais associado ao conflito no Médio Oriente. A isto, soma-se uma subida nas tarifas de Acesso às Redes, a parte regulada da fatura que cobre o transporte e a distribuição do gás até casa, que aumenta cerca de 0,098 cêntimos por kWh para consumidores domésticos.

Ou seja, o aumento não vem só do preço do gás em si, porque uma parte é mesmo o custo de manter e operar a rede, o mesmo que é calculado todos os anos pela ERSE com base em previsões de procura e no nível de investimento necessário. É um mecanismo previsível, ainda que a maioria das pessoas só o note quando a fatura chega diferente.

Para dar uma ideia de escala, nos últimos cinco anos as tarifas do mercado regulado subiram, em média, 5,3% ao ano. Este ano fica ligeiramente acima dessa média, o que confirma que não é um caso isolado, mas antes o padrão que se tem vindo a repetir.

Figura 1. Aumento das tarifas de gás natural no mercado regulado nos últimos três anos

A quem é que isto afeta, na prática 👥

Aqui está o ponto que costuma gerar confusão, visto que este aumento de 6,4% se aplica apenas ao mercado regulado que, em Portugal, cobre sobretudo os pequenos consumidores domésticos que nunca mudaram de comercializadora ou de tipo de contrato que, segundo os últimos dados disponíveis, corresponde a cerca de 437 mil clientes. Se recebes a fatura da EDP Comercial (a antiga "tarifa regulada") sem nunca teres escolhido ativamente uma comercializadora no mercado livre, é provavelmente aqui que estás.

A grande maioria dos consumidores portugueses, mais de 1,1 milhão, já está no mercado livre, onde cada comercializadora define o preço da componente de energia de forma independente e, por isso, a decisão da ERSE não se aplica diretamente às tarifas que pagam. Isso não significa, no entanto, que fiquem imunes ao aumento, porque a parte de Acesso às Redes é regulada para todos, mercado livre incluído, já que a rede de distribuição é a mesma independentemente de quem fatura a energia. Uma fatia do aumento chega assim também a quem está no mercado livre, ainda que misturada com o preço que a própria comercializadora decidiu praticar.

Quem tem tarifa social mantém o desconto de 31,2% sobre a tarifa em vigor, independentemente de estar no mercado regulado ou livre.

Quanto é que isto pesa, em números reais 🤑

A ERSE estima o impacto mensal entre 0,91€ e 1,62€, consoante o perfil de consumo, o que se traduz, por exemplo, num casal sem filhos a passar a pagar cerca de 17,38€ por mês e num casal com dois filhos cerca de 32,53€.

Esses valores oficiais escondem, no entanto, uma diferença grande consoante a estação do ano e o uso que se dá ao gás em casa. Uma casa que usa o gás só para cozinhar e para o esquentador costuma ter um consumo bastante estável ao longo do ano, talvez cerca de 275 kWh por mês no verão e 385 kWh no inverno, o que representa uma fatura a subir de perto de 20€ para cerca de 22€ com este aumento, sensivelmente na mesma ordem de grandeza dos valores que a ERSE apresenta.

Já uma casa com aquecimento central a gás pode consumir apenas 220 kWh por mês no verão, quando o gás só está a aquecer a água, e disparar para 1650 kWh ou mais por mês assim que o aquecimento entra em funcionamento no inverno, o que equivale a passar de uma fatura de cerca de 19€ para perto de 105€ nos meses mais frios, e a esse valor de pico o aumento de outubro acrescenta sozinho mais de 6€ num único mês. É essa sazonalidade, mais do que a subida percentual isolada, que explica porque é que a mesma casa pode sentir este aumento de forma quase imperceptível em agosto e bem mais pesada em janeiro.

O que isto significa para ti 🤝

Este tipo de decisão é um bom exemplo que representa a volatilidade do mercado de energia, que nunca fica parado, mesmo quando o teu contrato fica. Uma tarifa que fazia sentido em 2024 pode já não ser a melhor opção em 2026, não porque tenhas feito algo de errado, mas porque a ERSE, as comercializadoras e os mercados internacionais continuam a mexer nos números todos os anos.

Se estás no mercado regulado, este é o momento óbvio para perceber se ainda faz sentido lá ficar, porque muitas vezes há ofertas no mercado livre mais baratas do que a tarifa regulada, mesmo depois deste aumento, ainda que isso dependa sempre do teu consumo real e não de uma regra geral. Se já estás no mercado livre, o aumento nas tarifas de acesso é só mais um motivo para confirmar que a tua comercializadora atual continua competitiva, em vez de assumires que o contrato que assinaste há um ano ainda é o melhor disponível hoje.

É esse acompanhamento contínuo que o Manie faz. Em vez de fazeres comparações de tarifas manualmente, o AutoSwitch lê a tua fatura, compara com o que está disponível no mercado, seja regulado, livre ou indexado, e avisa-te quando há uma opção claramente melhor para o teu perfil de consumo. Desta forma, ficas assegurado, quando estes aumentos acontecem.

Perguntas frequentes 🙋

Qual é a diferença entre mercado regulado e mercado livre do gás?

No mercado regulado, o preço é definido anualmente pela ERSE e aplica-se sobretudo a quem nunca mudou de comercializadora. No mercado livre, cada comercializadora fixa livremente o preço da componente de energia, dentro das regras gerais de acesso às redes, que continuam reguladas para todos.

Este aumento também se aplica à eletricidade?

Não. A decisão da ERSE de 6,4% refere-se apenas às tarifas de gás natural para o ano-gás 2026-2027, e as tarifas de eletricidade seguem um calendário e um processo de decisão próprios.

Quem está no mercado livre não tem nada com que se preocupar?

Não é bem assim. A componente de Acesso às Redes, que também sobe, está incluída na fatura de qualquer comercializadora, mercado livre incluído. O que muda é que, no mercado livre, essa subida se soma ao preço que a tua comercializadora decidiu praticar, em vez de estar embutida numa tarifa fixada pela ERSE.

Vale a pena mudar de comercializadora antes de outubro?

Depende do teu consumo e da oferta que tens atualmente, e não há uma resposta universal. O que costuma compensar é comparar com base na tua fatura real, não numa média genérica, porque o peso do consumo de gás varia muito consoante teres ou não aquecimento a gás, esquentador ou caldeira central.

Quem tem tarifa social é afetado da mesma forma?

Quem tem tarifa social mantém o desconto de 31,2%, aplicado sobre a tarifa em vigor a cada momento, pelo que o aumento se reflete de forma proporcionalmente menor na fatura final.

Fontes: ERSE, Comunicado de Decisão sobre Tarifas de Gás Natural para o ano gás 2026-2027; Notícias ao Minuto e Executive Digest (cobertura da decisão final); Público (cobertura da proposta inicial, abril de 2026).
#ERSE#gás natural#mercado regulado#outubro 2026#tarifas de energia
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Carlota Neves
Escrito porCarlota Neves
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