
Qual é a eletricidade mais barata em outubro de 2026?
Outubro é o mês em que a fatura costuma dar nas vistas e o mercado regulado acabou de subir e as tarifas indexadas chegaram ao preço mais alto do ano. Fomos ver o que está mesmo a acontecer nas ofertas de eletricidade e gás em Portugal e explicamos como saber se a tua continua a ser uma das mais baratas.
A tarifa de eletricidade mais barata em outubro de 2026 é a Tari DD+FE Digital da EDP Comercial. Para um consumo estimado de 400 kWh, com potência contratada de 6,9 kVA, estimamos um valor de 74,14€ por mês. É uma tarifa fixa, só para novos clientes, com débito direto e fatura eletrónica. A tabela abaixo mostra as cinco tarifas mais baratas a 6 de outubro, e o resto do artigo explica quando a resposta muda para a tua casa.
Quais são as ofertas de eletricidade mais baratas em outubro de 2026? 🏷️
Preços de tabela a 6 de outubro de 2026, em tarifa simples, para 6,9 kVA e 400 kWh por mês, antes de IVA e taxas e sem descontos de campanha.
Comercializadora | Oferta | Preço do kWh | Potência por dia | Fatura mensal estimada |
|---|---|---|---|---|
EDP Comercial | Eletricidade DD+FE Digital | 0,1420€ | 0,5780€ | 74,14€ |
Repsol | Tarifa com DD e FE | 0,1480€ | 0,5636€ | 76,11€ |
Endesa | Tarifa Digital | 0,1399€ | 0,7452€ | 78,32€ |
Galp | Casa e Estrada (DD) | 0,1542€ | 0,5611€ | 78,51€ |
Iberdrola | Tarifa com DD e FE | 0,1521€ | 0,6182€ | 79,39€ |
A EDP lidera mas, entre o primeiro e o quinto lugar, a diferença é de pouco mais de 5€ por mês e a ordem muda de acordo com a potência, porque a Endesa tem o preço por kWh mais barato da tabela e o valor da potência mais cara, o que a favorece em casas com consumo mais alto e prejudica casas com consumo mais reduzido. Todas as tarifas exigem débito direto e fatura eletrónica para os preços apresentados, sendo que a tarifa da EDP é só para novos clientes e a tarifa da Galp pressupõe a contratação dos serviços de assistência 360 Casa e 360 Família, que têm custo próprio mas que, ainda assim, compensa. Mais abaixo na lista ficam a Ezu Energia, a Goldenergy e a Plenitude entre os 82€ e os 88€ e, no fim, a JAF Plus e a Alfa Energia que ficam acima dos 99€ para os mesmos consumos. Nos consumos elevados, com 13,8 kVA e 908 kWh, a diferença entre a oferta mais cara e a mais barata chega a 81,65€ por mês, perto de 980€ por ano.
Os contratos reais contam uma história um pouco diferente. Quando o AutoSwitch comparou 6.243 moradas nos primeiros dias de outubro, com o consumo e o ciclo horário de cada uma, as ofertas que mais vezes ganharam foram da Galp nas potências contratadas de 3,45 e 4,6 kVA e da Ibelectra a partir dos 6,9 kVA, com a EDP em segundo lugar em todas as potências.
Fixo ou indexado: o que mostram as faturas reais e o que compensa agora? 📊
A tabela de ofertas mostra qual é a tarifa mais barata para um perfil-tipo. As faturas reais dizem o que as pessoas pagam de facto, e em setembro a diferença que mais pesou não foi entre comercializadoras, foi entre preço fixo e preço indexado. Olhámos para 41.830 faturas de 32.336 moradas com Manie com data de fim em setembro de 2026, sem tarifa social e normalizadas a 30 dias, e separámos quem tem preço fixo, preço indexado e mercado regulado. A tabela mostra, por potência, a fatura mediana e o consumo mediano de cada grupo, porque uma fatura só se lê ao lado dos kWh que a explicam.
Potência | Preço fixo | Preço indexado | Mercado regulado |
|---|---|---|---|
3,45 kVA | 32,67€ por 132 kWh | 44,68€ por 128 kWh | 24,72€ por 87 kWh |
4,6 kVA | 45,51€ por 188 kWh | 65,42€ por 191 kWh | 32,65€ por 117 kWh |
6,9 kVA | 66,75€ por 283 kWh | 86,85€ por 254 kWh | 42,65€ por 149 kWh |
10,35 kVA | 97,35€ por 385 kWh | 136,08€ por 375 kWh | 54,41€ por 164 kWh |
13,8 kVA | 125,78€ por 504 kWh | 194,69€ por 554 kWh | 78,99€ por 260 kWh |
A leitura mais clara está na coluna do indexado. Nos 6,9 kVA, a potência mais comum entre os clientes do Manie, quem tinha indexado pagou cerca de 20€ a mais por menos consumo, nos 13,8 kVA a diferença passa dos 69€, e o padrão repete-se em todas as potências, porque as indexadas acompanharam o grossista de setembro fatura a fatura.
A coluna do regulado pede outra leitura. As faturas são mais baixas, mas o consumo mediano é cerca de metade, 149 kWh contra 283 nos 6,9 kVA, o que aponta para casas mais pequenas e não para um preço melhor. O valor da fatura, sozinho, nunca diz se a tarifa é boa.
Para ler isto convém ter a diferença clara. Numa tarifa fixa, o preço do kWh fica definido no contrato e não mexe durante o período acordado. Numa indexada, o preço segue o mercado grossista, mês a mês ou, nas tarifas dinâmicas, hora a hora, e por isso é muito barata quando o grossista está baixo e muito cara quando sobe.
Em 2026 as duas fases couberam no mesmo ano. Até à primavera, com o grossista abaixo dos 45 €/MWh, as indexadas ganhavam quase sempre, e foi nesse contexto que a G9 Energy anunciou no verão o fim dos seus tarifários fixos. Desde agosto inverteu-se, e em outubro uma família com 6,9 kVA paga numa indexada de referência cerca de 30€ por mês acima da melhor fixa. Quem ficou numa indexada o ano inteiro teve meses excelentes e está agora a devolvê-los.
Isto não faz da indexada uma má escolha, faz dela uma escolha que precisa de acompanhamento. Quem aguenta variações e está disposto a mudar quando o mercado vira pode continuar a tirar partido dela, e quem prefere saber em setembro quanto paga em dezembro tem hoje argumentos fortes para uma fixa. Desde o final de agosto, com o Decreto-Lei n.º 130/2026, as comercializadoras com mais de 200 mil clientes são obrigadas a ter sempre uma oferta de preço fixo com pelo menos um ano, o que garante que a opção existe, não que seja a mais barata para ti.

Figura 1. Em setembro de 2026, quem tinha preço indexado pagou mais do que quem tinha preço fixo em todas as potências, com consumos medianos semelhantes.
O que mudou em outubro para a resposta ser diferente da de setembro? 📈
Três coisas aconteceram quase ao mesmo tempo. A primeira foi o mercado grossista, que subiu de 121 €/MWh em agosto para 144 €/MWh em setembro e chegou aos 182,40 €/MWh na média diária de 7 de outubro, o valor mais alto do ano. A origem está no gás natural, pressionado pela guerra entre o Irão e os Estados Unidos, e num verão com pouca produção hídrica, que obrigou a recorrer mais às centrais a gás.
A segunda foi a ERSE, que pela Diretiva n.º 4/2026 subiu a meio do ano a tarifa do comercializador de último recurso. Desde 1 de outubro a componente de energia custa mais cerca de meio cêntimo por kWh, o que dá em média mais 2,7% na fatura de quem está no mercado regulado, entre 0,95€ e 2,70€ por mês, para cerca de 779 mil clientes no continente e nas ilhas. É invulgar, porque as tarifas reguladas costumam ficar fixas de janeiro a dezembro.
A terceira chegou pelo gás, com as tarifas do mercado regulado 6,4% mais caras desde o mesmo 1 de outubro, o que faz deste o mês em que as duas faturas sobem ao mesmo tempo. Voltamos ao gás mais abaixo.

Figura 2. A subida do grossista entre agosto e outubro é a razão pela qual as tarifas indexadas deixaram de compensar.
Como comparar a sério, para além do preço do kWh? 🔍
O erro mais comum é olhar só para o preço do kWh. A potência contratada tem um custo diário que pagas mesmo sem consumir, e num T1 com 3,45 kVA pode pesar um quinto da fatura ou mais, por isso uma oferta com kWh um pouco mais caro mas com a potência mais barata pode ser mais vantajosa. Numa casa com 13,8 kVA e 900 kWh é ao contrário, cada cêntimo no kWh vale nove euros por mês e a potência passa a ser um detalhe.
Depois vem o ciclo horário. A bi-horária só compensa se concentrares uma parte relevante do consumo nas horas de vazio, e a maioria das casas não o faz, tanto que nas adesões feitas através da ComparaJá em setembro mais de 94% foram em tarifa simples. Outubro traz uma particularidade, a mudança para a hora de inverno a 25 de outubro desloca as horas de vazio no relógio da parede, e quem tem máquinas programadas deve confirmar que continuam a cair no período certo.
Há ainda as condições das ofertas. Muitas das tarifas que lideram as comparações em outubro dependem de débito direto e fatura eletrónica, são só para novos clientes ou têm um desconto limitado aos primeiros meses, por isso o preço do primeiro ano pode não ser o do segundo. E antes de mudar confirma se o contrato atual tem fidelização em curso, porque a mudança é gratuita, não corta a luz e não mexe no contador, mas uma penalização por saída antecipada pode engolir a poupança do primeiro ano.
É por isto que a comparação que serve é a que parte da tua fatura real, com o teu consumo, a tua potência, o teu ciclo e o preço que estás mesmo a pagar. O simulador da ERSE permite fazê-lo com as ofertas em comercialização, e o Manie faz o mesmo exercício de forma contínua, lendo a fatura, comparando com o mercado fixo e indexado e avisando quando aparece uma alternativa claramente melhor, sem dependeres de te lembrares de ir ver todos os meses.
E o gás natural, também compensa mudar em outubro? 🔥
No gás a lógica é parecida, mas o peso depende da casa, porque quem só cozinha a gás gasta menos e quem tem caldeira para aquecimento pode gastar mais em gás do que em luz entre novembro e março. Para o ano-gás que começou a 1 de outubro, a ERSE fixou uma subida de 6,4% no regulado, entre 0,91€ e 1,62€ por mês. E há aqui um dado contraintuitivo, nas simulações do início do mês, para uma casa de Lisboa com 284 kWh por mês, a tarifa regulada ficava nos 32,55€ e todas as ofertas do mercado livre listadas ficavam acima, entre 43,27€ e 71,90€. No gás, sair do regulado não é vantagem automática e pode sair mais caro.
As ofertas duais, que juntam luz e gás na mesma comercializadora, costumam trazer um desconto extra e uma só fatura, mas só valem a pena se cada uma das duas tarifas for competitiva por si, e com frequência uma é boa e a outra nem por isso. Compara a eletricidade e o gás separadamente, com os consumos reais de cada um, e só depois vê se a dual bate a soma das duas melhores ofertas individuais.
Quanto se poupa, na prática, quando se compara a sério? 💶
As tabelas dão o intervalo, mas a pergunta que interessa é quanto poupa, de facto, uma casa comum quando acompanha o mercado. Nos dados do AutoSwitch entre janeiro e setembro de 2026, uma morada com 6,9 kVA poupou uma mediana de 13,27€ por mês na eletricidade face ao contrato anterior, entre 119€ e 134€ acumulados até setembro, e 98,3% das moradas tiveram poupança positiva. No gás, nas 4.022 moradas analisadas, a mediana foi de 8,39€ por mês.
Os scans de outubro contam a parte seguinte. Nas 6.243 moradas analisadas até 8 de outubro, o AutoSwitch encontrou uma oferta melhor em 2.912, ou seja, em 46,6% dos casos, mas a poupança mediana ficou entre 2€ e 5€ por mês, com o kWh recomendado à volta dos 0,149€. São valores pequenos por uma razão boa, estas casas já tinham sido comparadas e, muitas delas, mudadas ao longo do ano, e por isso estavam perto do melhor que o mercado tem. E o dado mais revelador é outro, em outubro o AutoSwitch não recomendou uma única oferta indexada.
Estes números ficam longe dos 980€ anuais da simulação de mercado porque esse valor é um teto teórico que quase ninguém atinge, enquanto a poupança mediana reflete casas com contratos razoáveis que mesmo assim ganharam dez a quinze euros por mês. É essa a medida honesta do que outubro pode valer para quem ainda não comparou.
Perguntas frequentes 🙋♂️
Qual é a comercializadora de eletricidade mais barata em outubro de 2026?
Nas simulações de mercado do início de outubro, a EDP Comercial, com a Eletricidade DD+FE Digital, uma tarifa fixa para novos clientes com débito direto e fatura eletrónica. Nos contratos reais comparados pelo AutoSwitch nos primeiros dias de outubro, as ofertas mais recomendadas foram da Galp nas potências de 3,45 e 4,6 kVA e da Ibelectra a partir dos 6,9 kVA, com a EDP em segundo. Repsol, Endesa, Galp e Iberdrola ficam a menos de 6€ por mês da EDP para uma casa com 6,9 kVA, e a ordem muda de mês para mês. O valor exato depende da potência, do consumo e do ciclo horário de cada casa.
A tarifa indexada ainda compensa em outubro de 2026?
Neste momento, não, em nenhum dos perfis analisados. Com o grossista acima dos 180 €/MWh no início de outubro, uma indexada de referência fica entre 15€ e 19€ por mês acima da melhor fixa num consumo baixo e cerca de 30€ acima numa família com 6,9 kVA. Nas faturas reais de setembro, quem tinha indexado com 6,9 kVA pagou cerca de 20€ a mais do que quem tinha fixo, com menos consumo, e nos scans de outubro o AutoSwitch não recomendou uma única oferta indexada. Pode voltar a compensar se o grossista descer, por isso quem está numa indexada deve acompanhar o mercado mensalmente.
Vale a pena sair do mercado regulado em outubro?
Depois da subida de 2,7% a 1 de outubro, o mercado regulado ficou entre 3€ e 20€ por mês acima da melhor oferta fixa, consoante o consumo, mas continua abaixo das indexadas e de várias ofertas do mercado livre. Compensa sair quando a comparação com a fatura real mostra uma oferta claramente melhor, e não por princípio.
O que muda com a hora de inverno a 25 de outubro?
As horas de vazio da tarifa bi-horária e tri-horária passam a cair uma hora diferente no relógio da parede, porque os ciclos horários acompanham a hora legal. Quem programa máquinas para o vazio deve confirmar os horários depois da mudança.
Mudar de comercializadora tem custos ou corta a luz?
Não. A mudança é gratuita, não interrompe o fornecimento, não exige obras nem troca de contador e demora em regra poucas semanas. O único ponto a confirmar antes é se o contrato atual tem período de fidelização em curso, porque nesse caso pode haver uma penalização por saída antecipada.
Com que frequência devo comparar a minha tarifa?
Em 2026 a resposta mais barata mudou pelo menos três vezes, em janeiro, no verão e em outubro, por isso uma verificação trimestral é o mínimo razoável, e quem tem tarifa indexada deve olhar todos os meses. Ferramentas como o simulador da ERSE ou o AutoSwitch do Manie fazem essa comparação a partir da fatura real sem ser preciso andar a refazer as contas à mão.
Fontes. ERSE, Diretiva n.º 4/2026, de 15 de setembro, primeira atualização da tarifa de energia do comercializador de último recurso, e respetivo documento justificativo; ERSE, Comunicado de Decisão sobre Tarifas de Gás Natural para o ano-gás 2026-2027; ERSE, Simulador de preços de energia e Boletim de Ofertas Comerciais de Eletricidade, 2.º trimestre de 2026; OMIE, mercado diário, Portugal, médias mensais de agosto (121,36 €/MWh) e setembro (143,90 €/MWh) e média diária de 7 de outubro (182,40 €/MWh), através do Data Hub da REN, consulta a 8 de outubro de 2026; ComparaJá, Comparador de Eletricidade, preços por comercializadora para 6,9 kVA e 400 kWh, atualizado a 6 de outubro de 2026, Análise de Mercado de Energia, outubro de 2026, simulações a 1 de outubro de 2026, e Gás Natural, preço do kWh em outubro de 2026; luzegas.pt e ComparaMais, nomes e condições das ofertas EDP Eletricidade DD+FE Digital, Endesa Tarifa Digital e Galp Casa e Estrada, outubro de 2026; Decreto-Lei n.º 130/2026, de 29 de junho; DECO Proteste e CNN Portugal, sobre o fim dos tarifários fixos da G9 Energy (verão de 2026); Manie, faturas de eletricidade validadas com data de fim em setembro de 2026, 41.830 faturas de 32.336 moradas sem tarifa social, normalizadas a 30 dias, extraídas a 8 de outubro de 2026; Manie, scans do AutoSwitch concluídos entre 1 e 8 de outubro de 2026, último scan de cada morada, 6.243 moradas, poupança medida na variação do total da fatura de eletricidade normalizada a 30 dias; Manie, Quanto pouparam as casas com AutoSwitch em 2026, dados de janeiro a setembro, moradas com 6,9 kVA e 4.022 moradas de gás natural.


