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Manie Year in Review 2025
scheduleLeitura de 9 min17 de Dezembro de 2025

Manie Year in Review 2025

Joana Caramba
Joana Caramba

Manie Year in Review 2025 

O ano em que deixámos de ser uma “startup de energia” e passámos a ser a sala de máquinas das poupanças em Portugal

2025 foi o ano em que Portugal descobriu duas verdades duras sobre a energia:

- As faturas continuam caóticas.

- Ninguém tem tempo, paciência ou sanidade para as resolver.

E foi exatamente aqui que a Manie se tornou útil. Não por prometer milagres, mas por fazer o trabalho sujo: ler faturas, interpretar ciclos, vigiar preços, estudar potências, mudar contratos… tudo aquilo que ninguém quer fazer ao fim do dia.

Este foi o ano em que deixámos de ser vistos como “mais uma app de energia” e passámos a funcionar como uma autêntica infraestrutura escondida por baixo das casas portuguesas. Não no sentido romântico, no sentido muito literal: fomos nós que andámos a ler faturas, a comparar tarifas, a ajustar potências, a encontrar erros, a estudar ciclos e a mexer em contratos para que o utilizador não tivesse de o fazer.

Ao longo do ano, analisámos mais de 180.000 faturas. Isto significa que quase duzentas mil famílias e empresas abriram a porta ao nosso motor de análise. Cada fatura foi transformada em dados reais, que por sua vez alimentaram o nosso modelo de vigilância contínua do mercado.

Dessas análises resultaram mais de 60.000 switches. E este número diz-nos algo importante: não estamos apenas a ajudar consumidores habituados a mudar. Estamos a ajudar pessoas que nunca tinham feito um switch na vida. Pessoas que sempre acharam “isto deve ser complicado”, “não vale a pena” ou “não percebo nada disto”. Cada switch é uma decisão consciente de mudar e confiar. Não é só “clicar num botão”; é confiar-nos uma tarefa que devia ter sido sempre simples e que nós garantimos que o é. O crescimento explosivo mostra que essa confiança está a acontecer, e a acontecer depressa.

energia 2025

A app, que no início do ano era um complemento, tornou-se o centro da experiência de energia para a maioria dos nossos utilizadores. Esta transição é importante porque mostra um caminho óbvio: quanto mais a Manie se torna um “hub” da energia pessoal, mais natural se torna acompanhar consumos, perceber tarifas e antecipar mudanças.

Antes de entrarmos nas contas finais, há um momento deste ano que marcou a equipa: o dia em que o Pedro Andersson, conhecido apresentador do programa Contas-poupança, visitou o nosso escritório para conhecer estes números, perceber melhor o estudo que fazemos diariamente, e gravar sobre esta poupança no mercado energético. Foi incrível percebermos os desafios e o crescimento que tivemos desde a última vez que estivemos neste programa (Outubro de 2024). Leia mais aqui.

Foi uma manhã bem disposta, cheia de trocas de ideias e análises sobre o mercado energético e quanto o nosso país está a poupar conosco.

Pedro andersson, contas poupança

Quanto dinheiro ficou no bolso do país?

Aqui entramos no que realmente importa aos portugueses:poupança.

A poupança média por mudança de contrato foi de €21.50. Pode parecer um valor pequeno isolado, mas multiplicado pelo número de switches dá uma imagem clara: mais de um milhão de euros devolvidos às famílias, por mês ao longo de 2025, cerca de €14M poupança anualizada.

E é uma poupança limpa. Sem telefonemas, sem formulários, sem maratonas de PDFs, sem renegociações absurdas com call centers, sem horas desperdiçadas. É dinheiro real que ficou do lado certo da conta bancária pela simples razão de que alguém estava a vigiar o mercado em nome do utilizador.

O retrato energético de Portugal em 2025

Ao analisarmos centenas de milhar de faturas, começámos a ver a energia de Portugal com mais nitidez. E o primeiro grande retrato é simples: Portugal vive quase exclusivamente de eletricidade. Cerca de 85% dos contratos que analisámos são apenas de eletricidade em vez de dual ou contratos só de gás. E faz sentido: é na fatura elétrica que a maioria das pessoas sente maior volatilidade, por isso é também aí que mais procuram poupar.

Houve também outro número que nos ficou na cabeça (e nos nossos dados, claro): a esmagadora maioria dos portugueses tem tarifa simples contratada. Isto não significa que as pessoas “não saibam” que existem outros ciclos, nem que estejam a fazer algo de errado. Significa sobretudo que o mercado tem poucas opções que se adaptem realmente aos hábitos modernos de consumo - horários flexíveis, rotinas imprevisíveis, trabalho híbrido, eletrodomésticos inteligentes.

Para muitos utilizadores, o ciclo bi-horário simplesmente não compensa o esforço de adaptar comportamentos… e o tri-horário então é quase impossível de encaixar numa vida normal. Por isso, é natural que a tarifa simples domine.

Mas esta realidade também explica onde está parte da poupança possível: não é só numa eventual mudança de ciclo, é na escolha do comercializador certo, no momento certo, ajustada ao perfil de consumo de cada casa. E aqui a Manie faz a diferença porque o utilizador não tem de adivinhar nada - nós analisamos os dados reais e dizemos quando vale a pena mudar.

Outro ponto importante: até ao final de 2025, a mudança de ciclo horário implicava uma fidelização de 12 meses, o que tornava estas decisões menos flexíveis e, para muitos consumidores, pouco práticas. Ou seja, mesmo que teoricamente exista poupança num determinado ciclo, na prática o contrato prende a decisão. Só em 2026 esta limitação desaparece, e aí sim o mercado pode finalmente tornar-se mais dinâmico e justo.

No fim, tudo isto reforça a mesma tese: a energia, tal como é apresentada hoje, não facilita boas decisões por parte do consumidor.

O mercado é complexo, o impacto das escolhas é difícil de prever e as regras nem sempre são transparentes. É precisamente por isso que existimos, para transformar informação em decisões claras, práticas e sem risco para o utilizador.

O preço real da energia em 2025: a parte que custa olhar de frente

Se há área onde a Manie faz diferença é aqui: distinguir o preço “bonito” de tabela do preço real, aquele que efetivamente aparece na fatura.

Em 2025, na tarifa simples, o preço médio por kWh foi de 0.171€. No entanto, temos percebido que tem havido um “jogo” interessante das comercializadoras. Já deverão ter lido em vários anúncios publicitários “o preço mais baixo por kWh de sempre” ou “garante o valor por kWh mais baixo do mercado”. São afirmações verdadeiras, mas com um senão: o preço da energia em Portugal divide-se em várias componentes mas em duas componentes principais: termo fixo e termo variável.

O termo fixo é o valor que pagamos diariamente, mesmo que não façamos nenhum consumo de energia. É o valor que pagamos só para ter um contrato de energia. Enquanto que o termo variável é o valor que pagamos de acordo com o nosso consumo. Então, quando nos dizem que têm o kWh mais barato do mercado, a nossa reação é logo “certo, mas e o termo fixo?”.

E as respostas são sempre as mesmas “não sabemos o termo fixo”, o “termo fixo não interessa”, “o termo fixo é ligeiramente superior”. No entanto, não é bem assim, o termo fixo interessa muito e normalmente é bastante superior nessas “ofertas canhão”, porque o que fica bem na publicidade é o valor por kWh. Então, para arranjarmos uma métrica de comparação, incluímos o termo fixo no kWh, ajustado para o consumo e ciclo de cada consumidor. Sabemos que esta métrica tem muitas limitações, mas para já foi a que usámos para facilitar estas análises e chamámos-lhe “preço real por KWh”. E esse preço real, no ciclo simples, foi de 0.319€/kWh. Ou seja: o dobro.

preço real

No ciclo bi-horário as conclusões são de que o preço real por KwH é 25% inferior ao ciclo simples, i.e., 0.238€. Isto mostra que, para alguns perfis de consumo, há oportunidades reais, mas raramente são explicadas de forma clara ao consumidor. Também mostra que, no geral, quem tem ciclo bi-horário está a tirar real vantagem desse ciclo, e isso deixa-nos muito satisfeitos!

No tri-horário, o cenário é… educativo. O preço real é 48% superior ao ciclo bi-horário, chegando aos 0.343€. É um bom exemplo de um tarifário que pode fazer sentido teoricamente, mas que na prática penaliza quem não vive rigidamente em função das horas de energia, com excepção de potências acima de 20.7KvAs em que é obrigatório o tri-horário.

Tudo isto reforça a missão da Manie: o que interessa não é o preço anunciado, não é as mil e uma ofertas, nada disso - o que interessa é o que pagamos ao final do mês por um bem que é igual para todos.

O que interessa não é o preço anunciado, não é as mil e uma ofertas, nada disso - o que interessa é o que pagamos ao final do mês por um bem que é igual para todos.

Produto e tecnologia: aquilo que ninguém vê, mas sente

Enquanto estes números cresciam, houve um trabalho silencioso: melhorar o motor que lê faturas, analisar padrões e comparar tarifas com a precisão que o mercado exige. O AutoSwitch faz parte desse rigor. A mudança de comercializador não implica cortes de energia - é um processo regulamentado para ser contínuo e seguro - e o nosso historial apenas confirma isso. Todas as transições que fizemos ao longo do ano decorreram como previsto, sem interrupções e sem sobressaltos para os utilizadores.

A app tornou-se mais clara, mais útil e mais humana. E pela primeira vez, sentimos que temos algo que os portugueses não estão habituados a ter na energia: uma ferramenta que trabalha por eles, e não contra eles.

O que queremos construir em 2026

O próximo ano não é só para sonhos. É para execução.

Queremos levar o AutoSwitch a mais pessoas, não por ser um número específico, mas porque acreditamos que automatizar tarefas complicadas é a forma mais justa de ajudar as famílias a gerir a energia.

Queremos evoluir a nossa app, torná-la mais clara, mais útil e mais próxima do dia-a-dia real dos nossos utilizadores. Há funcionalidades novas a chegar, outras que vão ser simplificadas e muitas que vamos melhorar com base no feedback direto da comunidade Manie, que continua a ser uma das nossas melhores fontes de melhorias e otimizações do nosso produto.

E queremos reduzir a fricção sempre que possível: menos passos, menos dúvidas, menos ruído. A Manie existe para resolver problemas, não para criar mais um.

Se 2024 foi o ano em que nos apresentámos a Portugal, 2025 foi o ano em que Portugal começou a poupar a sério e 2026 vai ser um ano de afirmação de um novo mercado de energia!

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Joana Caramba
Escrito porJoana Caramba
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