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Eletricidade a 216,66 €/MWh no mercado grossista e o impacto nas tarifas indexadas
NovidadesscheduleLeitura de 8 min19 de Outubro de 2026

Eletricidade a 216,66 €/MWh no mercado grossista e o impacto nas tarifas indexadas

Carlota Neves
Carlota Neves

Eletricidade a 216,66 €/MWh no mercado grossista e o impacto nas tarifas indexadas

Esta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, o preço médio da eletricidade no mercado grossista atingiu os 216,66 €/MWh em Portugal. Para quem tem uma tarifa indexada, este valor entra no cálculo do preço da energia, embora o impacto na fatura dependa da fórmula do contrato e do período de consumo considerado. Nas ofertas dinâmicas, também conta o momento em que a eletricidade é consumida. Quem tem uma tarifa fixa não sente uma repercussão automática deste pico no preço contratado, mas o cenário reforça a importância de comparar as condições disponíveis.

O que aconteceu ao preço da eletricidade a 19 de outubro? 📈

O mercado diário do OMIE apresentou, para 19 de outubro, um preço médio de 216,66 €/MWh em Portugal, com um mínimo de 168,50 €/MWh e um máximo de 319,04 €/MWh. Estes valores correspondem ao mercado grossista, ao qual se acrescentam outras componentes para chegar ao preço final pago pelos consumidores.

A evolução do gás natural ajuda a enquadrar este cenário. Segundo o ECO, a 13 de outubro os futuros TTF atingiram os 87,2 €/MWh, acumulando uma subida de 171% desde o início do ano. Quando as centrais a gás são necessárias para satisfazer a procura e as suas ofertas determinam o preço marginal, o custo deste combustível pode refletir-se no preço da eletricidade.

No mercado de futuros do OMIP, as cotações de 16 de outubro para Portugal situavam-se nos 166,75 €/MWh para novembro e nos 142,35 €/MWh para o primeiro trimestre de 2027. Estes contratos mostram os preços aos quais se negoceia eletricidade para esses períodos, mas não garantem qual será o preço efetivamente observado em cada dia do inverno.

Como é que o preço grossista chega à fatura de uma tarifa indexada? 🧾

Numa tarifa indexada, o preço da energia resulta de uma fórmula contratual que acompanha o mercado grossista e pode incluir custos comerciais, ajustamentos para perdas e tarifas de acesso às redes. Em 2026, a componente de energia do acesso às redes é de 0,0607 €/kWh na tarifa simples em baixa tensão normal até 20,7 kVA, sem tarifa social. Nas ofertas baseadas no preço médio do período de faturação, um pico diário entra nesse cálculo. Nas ofertas dinâmicas, o preço grossista é associado ao consumo registado em cada intervalo, pelo que o horário em que se utiliza eletricidade também influencia o custo.

Para perceber a dimensão destes valores, podemos construir uma simulação com 300 kWh de consumo mensal em tarifa simples. Neste exemplo, somamos ao preço do OMIE uma margem hipotética de 0,01 €/kWh, aplicamos um acréscimo de 15% para perdas e acrescentamos 0,0607 €/kWh de acesso às redes. Se a média do período fosse de 216,66 €/MWh, o custo do consumo ficaria próximo dos 96,41 €, antes de IVA. Com uma média de 150 €/MWh, seria de 73,41 €. Comparando com um preço fixo de referência de 0,142 €/kWh, com redes incluídas, as diferenças seriam de cerca de 54 € e 31 €, respetivamente. São cenários ilustrativos, não uma previsão da fatura de outubro.

Cenário ilustrativo para 300 kWh

Preço aprx. do kWh

Custo do consumo antes de IVA

Preço fixo de referência

0,142 €/kWh

42,60 €

Indexada com média OMIE de 150 €/MWh no período

0,245 €/kWh

73,41 €

Indexada com média OMIE de 216,66 €/MWh no período

0,321 €/kWh

96,41 €

A tabela compara apenas o custo do consumo e exclui o termo de potência, o IVA, as restantes taxas e eventuais serviços adicionais. O termo de potência pode variar entre ofertas, pelo que a diferença no total da fatura pode ser diferente da apresentada. Os cálculos usam valores não arredondados e pressupostos ilustrativos de margem e perdas, que devem ser substituídos pelos da oferta contratada numa comparação individual.

Quando é que uma tarifa indexada compensa face a uma fixa? 📊

Para perceber se uma tarifa indexada compensa, é preciso identificar a partir de que preço grossista o seu custo fica abaixo do de uma oferta fixa. Esse ponto depende da fórmula do contrato, incluindo a margem comercial, os ajustamentos para perdas e as tarifas de acesso às redes.

No exemplo ilustrativo da tabela anterior, o custo do consumo na indexada iguala o da fixa quando a média do OMIE considerada na simulação ronda os 61 €/MWh. Abaixo desse valor, a indexada teria um preço por kWh inferior aos 0,142 € usados como referência. Acima desse valor, a fixa teria vantagem na componente de consumo, mantendo os restantes pressupostos.

Este limiar serve apenas para o exemplo apresentado, porque cada oferta pode ter uma fórmula diferente e o termo de potência também influencia o total da fatura. Numa indexada baseada no preço médio do período, interessa acompanhar essa média, enquanto numa oferta dinâmica também conta o preço nos momentos em que se consome eletricidade. Por isso, a decisão de manter ou mudar deve resultar da comparação das condições do contrato com as alternativas disponíveis, considerando o perfil de consumo de cada casa.

O que fazer se tens uma tarifa indexada neste momento? 🔁

O primeiro passo é confirmar, no contrato ou na área de cliente da comercializadora, se o preço da energia é fixo ou calculado a partir de um indexante. As referências ao OMIE ou a uma fórmula associada ao mercado grossista ajudam a identificar uma oferta indexada, enquanto a simples mudança do preço entre faturas não permite tirar essa conclusão, porque também pode resultar de uma revisão das condições de uma oferta fixa.

Se tens uma tarifa indexada, compara as condições do teu contrato com uma oferta fixa disponível para o teu perfil, incluindo o preço do consumo, o termo de potência, os descontos e eventuais serviços adicionais. Antes de mudar, confirma também se existe fidelização e durante quanto tempo a nova oferta garante os preços apresentados. A mudança de comercializadora é gratuita e não implica corte de fornecimento nem troca de contador.

Se tens uma tarifa dinâmica, deslocar consumos para períodos de preço mais baixo pode reduzir o custo da energia, mas é preciso comparar o resultado com o de uma alternativa fixa. Numa oferta baseada na média do período, mudar o consumo para a madrugada não permite, por si só, aproveitar o preço grossista dessa hora, embora possa haver diferenças de acesso às redes numa opção bi-horária ou tri-horária. O AutoSwitch acompanha as ofertas e compara-as com as condições do teu contrato, avisando quando identifica uma alternativa melhor segundo os critérios do serviço.

Perguntas frequentes 🙋‍♂️

O pico de 19 de outubro afeta quem tem tarifa fixa?

O pico não é repercutido automaticamente no preço do kWh de uma tarifa fixa. A manutenção do preço depende das condições e do prazo de garantia previstos no contrato, pelo que convém confirmar as regras de revisão da oferta e de atualização das componentes reguladas.

O pico de um dia reflete-se na totalidade na fatura de uma indexada?

Depende da fórmula do contrato. Nas ofertas baseadas num preço médio, o valor desse dia entra no cálculo da média do período considerado. Nas ofertas dinâmicas, o preço de cada intervalo é aplicado ao consumo registado nesse momento, pelo que o impacto depende também de quando utilizas eletricidade.

A tarifa indexada ainda compensa em outubro de 2026?

Depende das condições da oferta, do consumo e da fórmula de indexação. Nos cenários ilustrativos apresentados neste artigo, com médias OMIE de 150 e 216,66 €/MWh, a indexada fica acima do preço fixo usado como referência. Para perceber se isso se aplica ao teu caso, compara o custo total das ofertas, incluindo o consumo, a potência e eventuais serviços adicionais.

Posso sair de uma tarifa indexada sem penalização?

Regra geral sim, porque as ofertas indexadas não costumam ter período de fidelização, mas convém confirmar nas condições particulares do contrato. A mudança de comercializadora é gratuita e não interrompe o fornecimento.

Como sei se a minha tarifa é indexada?

Confirma no contrato se o preço da energia é calculado através de uma fórmula associada ao OMIE ou a outro indexante, porque a variação do preço entre faturas, por si só, não permite identificar uma tarifa indexada.

Fontes. OMIE, Resultados do mercado diário, preços médio, mínimo e máximo para Portugal em 19 de outubro de 2026; OMIP, Mercado hoje, cotações de 16 de outubro de 2026 dos contratos de futuros base para Portugal, relativos a novembro de 2026 e ao primeiro trimestre de 2027; ECO, Ativo do dia. Gás em máximos de quase quatro anos, publicado a 13 de outubro de 2026; ERSE, Tarifas e preços para a energia elétrica e outros serviços em 2026, tarifas de acesso às redes em baixa tensão normal; EDP Comercial, Oferta indexada de eletricidade e gás natural, funcionamento e fórmulas de cálculo das ofertas indexadas a preço horário e a preço médio de mercado.

#fatura da luz#Mercado livre#OMIE#Tarifa indexada
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Carlota Neves
Escrito porCarlota Neves
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